Adolfo Daniel Vallejo, tenista paraguaio e atual número 71 do mundo, gerou polêmica ao afirmar que sua partida da segunda rodada do Aberto da França não deveria ter sido apitada por uma mulher. Segundo ele, as mulheres não possuem a "coragem" necessária para lidar com a pressão da torcida. A declaração foi feita após sua derrota para o jovem francês Moise Kouame, de apenas 17 anos, em um jogo que durou quase cinco horas, com o placar final de 6-3, 7-5, 2-6, 2-6 e 7-6 (10-8) no Court Suzanne-Lenglen.
Durante a partida, Kouame recebeu forte apoio do público, o que, segundo Vallejo, dificultou a atuação da árbitra Ana Carvalho, do Brasil. O paraguaio criticou a capacidade de Carvalho em controlar o que ele chamou de uma torcida "irritante" e "desrespeitosa". Além disso, Vallejo expressou descontentamento com o tempo que Kouame estava levando entre os pontos, ressaltando que os jogadores têm um limite de 25 segundos, mas que os árbitros podem decidir quando iniciar o cronômetro, levando em conta o comportamento da plateia.
"Acho que esse tipo de partida deveria ser apitada por um homem", declarou Vallejo em entrevista à revista Clay, que foi ouvida e verificada pela BBC Sport. Ele argumentou que é difícil para uma mulher lidar com a pressão da torcida, afirmando que "é preciso ter muita coragem para ir contra o público". Vallejo também reconheceu que já esperava um ambiente hostil, mas afirmou que isso não o prejudicou, ao contrário, pareceu fortalecer o adversário.
Quando questionado se a presença de um árbitro masculino teria mudado o resultado da partida, Vallejo respondeu de forma afirmativa: "Sim, sim, absolutamente. A torcida foi realmente desrespeitosa, mas eu entendo, pois eles estão apoiando o jogador da casa". Essas declarações geraram reações diversas nas redes sociais e na comunidade do tênis, levantando questões sobre a igualdade de gênero no esporte e o papel das mulheres em posições de autoridade.
Após a repercussão negativa, Vallejo recorreu às redes sociais para esclarecer seus comentários, afirmando que suas palavras foram "tiradas de contexto" e que ele se referia especificamente a Carvalho, e não a todas as árbitras do circuito. A Federação Francesa de Tênis (FFT), responsável pela organização do torneio, foi contatada para comentar sobre a situação, mas ainda não se manifestou publicamente.
Essa situação não apenas destaca a pressão que os árbitros enfrentam em grandes torneios, mas também traz à tona a discussão sobre o respeito e a igualdade de gênero no esporte. A atuação de árbitras em competições de alto nível é um tema que vem ganhando cada vez mais atenção, e as declarações de Vallejo podem ser vistas como um retrocesso em um momento em que o esporte busca promover a inclusão e a diversidade.
Com a temporada de torneios de tênis em andamento, o impacto das palavras de Vallejo pode reverberar além das quadras, afetando a percepção do público sobre a capacidade das mulheres em papéis de liderança no esporte. O futuro das discussões sobre igualdade de gênero no tênis e em outras modalidades esportivas continua em aberto, e a reação da comunidade esportiva será crucial para moldar esse cenário.