Faltando pouco mais de uma semana para o início da campanha da Escócia na Copa do Mundo, ingressos para a partida de abertura estão sendo vendidos em sites de revenda de terceiros. Diversos bilhetes para o jogo entre Escócia e Haiti, marcado para o dia 12 de junho, estão disponíveis nessas plataformas, com alguns sendo oferecidos a preços próximos ao valor original, enquanto outros apresentam preços inflacionados. O jornal The Times informou que a FIFA está colaborando com esses sites de revenda na tentativa de vender milhares de ingressos não vendidos, apesar de já ter alertado os torcedores contra essa prática.
Os ingressos para a partida de abertura da Escócia em Boston foram inicialmente vendidos por valores que variam entre £53 e £380. No entanto, alguns desses bilhetes foram revendidos no site de revenda da FIFA por mais de $2.000. Atualmente, os ingressos estão sendo comercializados em sites de terceiros, com um deles, visto pela BBC, listado por menos de £200. Gavin Noon, responsável pela página de mídia social Scotland Co-efficient, declarou à BBC Scotland que a venda dos ingressos ocorreu de maneira "absolutamente caótica". Em entrevista ao programa Radio Scotland Breakfast, ele comentou: "Sempre foi passado a mensagem de que o torneio iria esgotar, que os ingressos seriam tão escassos que você teria que pagar £1.200 se quisesse assistir a todos os jogos".
Noon também destacou que para as partidas consideradas "menos desejáveis", seções inteiras estão agora à venda em sites de revenda secundários por menos de um terço do preço original. Torcedores de países como o Haiti, adversário da Escócia, não poderão comparecer, pois estão proibidos de entrar nos Estados Unidos. O advogado-geral de Nova Jersey, Jennifer Davenport, classificou o processo de venda de ingressos da FIFA como um "labirinto de confusão, escassez falsa e preços impossivelmente altos".
A FIFA havia alertado os torcedores para evitarem esses sites, mas parece ter mudado de postura após ficar com "dezenas de milhares" de ingressos não vendidos. Noon explicou que o próprio site de revenda da FIFA cobra 15% de comissão tanto de compradores quanto de vendedores, e a entidade não pode reduzir o preço dos ingressos não vendidos, pois isso prejudicaria aqueles que já adquiriram seus bilhetes. "Eles deveriam ter precificado os jogos de forma acessível. Isso teria permitido que torcedores viajassem para ver seu país e, em seguida, assistissem a outro jogo na cidade onde estivessem, como sempre funcionou em outros torneios. Agora, as pessoas só conseguem arcar com o custo de um único jogo para o qual foram pagas", afirmou.
Na próxima semana, torcedores escoceses devem viajar para os Estados Unidos em grande número. Muitos deles devem optar por ir mesmo sem ingressos, preferindo assistir aos jogos em zonas de torcedores que estão sendo montadas nas cidades-sede. Além disso, diversas zonas de torcedores também estão sendo planejadas em solo escocês para aqueles que não farão a viagem. O cenário se apresenta complexo, com a expectativa de que a situação dos ingressos e a experiência dos torcedores se tornem um tema central à medida que a Copa do Mundo se aproxima.